terça-feira, 19 de julho de 2011

Conto

HORAS PERDIDAS


João Vitor Haeberle Jaeger*




Ventava. Era um vento daqueles de assoviar nas curvas da praça. Mas, a despeito dessa intempérie, um velho senhor caminhava por entre as árvores e catava folhas que pesavam no chão. Na praça, não havia mais ninguém, apenas um banco a esperar por ele. Com algumas folhas de árvore e de jornal nas mãos, o velho se sentou no colo do banco amigo e passou a contemplar o tempo.
Era difícil ler com aquela ventania toda. Nem as folhas, nem as palavras paravam em suas mãos. Deixou o jornal também ser carregado. Olhou no relógio e as horas também voavam. Iam além das nuvens e, para lá, levavam o bom tempo. Levantou-se e seguiu caminhando por uma trilha. Perdia-se entre um passo e outro, uma folha e outra. Uma hora ou outra, acabava por voltar ao seu banco amigo. E lá ficava a contemplar o vento.
Algumas folhas voavam ao seu encontro, outras fugiam, outras não davam bola. Ele também desviava de algumas, catava outras ou não se preocupava. Numa tarde movimentada como aquela, não adiantava tentar escapar. Mas, mesmo assim, forçou uma fuga.
O velho senhor misturado com as folhas, catando horas perdidas, ergueu-se e foi embora. Carregava consigo um pedaço de vento, pois o que tinha já havia decolado. Na busca de outras horas que há tempos não voltavam, correu. Correu atrás do ponteiro, mas o tempo voava mais depressa. Acabou por tropeçar em uma raiz de árvore e cair com o rosto no chão. Virou folha seca e voou com suas horas perdidas.


*Escritor

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ainda temos vagas!



Introdução à leitura dos Escritos de Lacan


Curso a ser ministrado pelo Dr. Roberto Graña aberto para iniciantes oriundos de qualquer área de formação.
Período: Julho a Dezembro de 2011.
Horário: quintas-feiras das 9:20h às 10:30h.
Local: Contemporâneo – Instituto de Psicanálise e Transdisciplinaridade
Rua Casemiro de Abreu, 651. Fones: (51) 3019-5340 e (51) 3019-5344
Serão fornecidos certificados aos participantes.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Entre

Neste espaço

Entre

A casa é sua

É minha e nossa

E de todos os nossos.

Neste laço

Entre

Convivas atuam

Compactuam

Fazem troça

Neste traço

Entre

Linhas marcam

Destinos

Desatinos

Neste embaraço

Entre

Nós se tecem

Se enredam

Sujeitos

Projetos

Neste poço

Entre

Mentes mergulham

No escuro.

Com sorte

Bebem na fonte

Emergem mais fortes.

Neste alvoroço

Entre

Mortos e feridos

Ficamos nós

A ressoar

A humanidade.


(Poema enviado por uma aluna do Curso de Vínculos Vivian Smith)