quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A Atualidade da Psicanálise de Adolescentes
Uma vez mais os psicanalistas Roberto Graña, membro titular da Associação Psicanalítica Internacional e analista de crianças e adolescentes pela mesma entidade e Angela Piva, membro associado da Associação Psicanalítica Internacional e analista de crianças, famílias e casais, oferecem ao público leitor brasileiro um livro de real valor para a compreensão, diagnóstico e tratamento psicanalítico dos padecimentos que afligem a alma infanto-juvenil em seu ingresso neste novo século/milênio. A atualidade da psicanálise de adolescentes aparece com uma espécie de segundo volume de A atualidade da psicanálise de crianças, livro publicado pela Casa do Psicólogo em 2001 e que teve a sua primeira edição rapidamente esgotada em menos de um ano.
Título Atualidade da Psicanálise de Adolescentes, A
Assunto Psiquiatria, Psicanalise
Idioma Português
Ano 2004
Tipo de capa BROCHURA
Páginas 332
Edição 1
ISBN 9798573963396
Editora Casa Do Psicologo
Uma vez mais os psicanalistas Roberto Graña, membro titular da Associação Psicanalítica Internacional e analista de crianças e adolescentes pela mesma entidade e Angela Piva, membro associado da Associação Psicanalítica Internacional e analista de crianças, famílias e casais, oferecem ao público leitor brasileiro um livro de real valor para a compreensão, diagnóstico e tratamento psicanalítico dos padecimentos que afligem a alma infanto-juvenil em seu ingresso neste novo século/milênio. A atualidade da psicanálise de adolescentes aparece com uma espécie de segundo volume de A atualidade da psicanálise de crianças, livro publicado pela Casa do Psicólogo em 2001 e que teve a sua primeira edição rapidamente esgotada em menos de um ano.
Título Atualidade da Psicanálise de Adolescentes, A
Assunto Psiquiatria, Psicanalise
Idioma Português
Ano 2004
Tipo de capa BROCHURA
Páginas 332
Edição 1
ISBN 9798573963396
Editora Casa Do Psicologo
Dicas do CIPT
Interessado em notícias "sempre fresquinhas" de tudo o que acontece no mundo psi? acesse: http://psicologiaacademica.blogspot.com/
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O CORVO
(de Edgar Allan Poe/ trad. Fernando Pessoa)
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
(de Edgar Allan Poe/ trad. Fernando Pessoa)
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Nossos cursos de pós 2011 estão com inscrições abertas!

Cursos de Pós-Graduação 2011
Teoria Psicanalítica e as Psicoterapias na Idade Adulta
Duração: 7 semestres
Frequência: Semanal
Seminários: 7
Supervisão: Semanal
Carga horária teórica: 735 horas
Dias: Terças e Quintas-feiras, das 8h às 13h45
Teoria Psicanalítica e as Psicoterapias da Infância e Adolescência
Duração: 7 semestres
Frequência: Semanal
Seminários: 7
Supervisão: Semanal
Carga horária teórica: 735 horas
Dias: Terças e quintas-feiras, das 8h às 13h45
Teoria Psicanalítica na Clínica Psicoterápica
Duração: 7 semestres
Frequência: Quinzenal
Seminários: 6
Supervisão: Semanal ou Quinzenal
Carga horária teórica: 486 horas
Dias: Sábados, das 8h às 18h
Psicanálise das Configurações Vinculares
Duração: 5 semestres
Frequência: Semanal
Seminários: 5
Supervisão: Semanal
Carga horária teórica: 400 horas
Dias: Sexta-feiras, das 13h às 18h30
Psicodiagnóstico e Avaliação Psicológica
Duração: 5 semestres
Frequência: Quinzenal
Seminários: 4
Supervisão: Semanal ou Quinzenal
Carga horária teórica: 400 horas
Dias: Sábados das 8h às 18h15
*Cursos a serem realizados em Caxias do Sul:
-Teoria Psicanalítica na Clínica Psicoterápica
Duração: 4 semestres
Frequência: Semanal
Seminários: 6
Supervisão: Semanal ou Quinzenal
Carga horária teórica: 486 horas]
Dias: Terças e quintas-feiras, das 8h às 18h
Psicodiagnóstico e Avaliação Psicológica
Duração: 4 semestres
Frequência: Semanal
Seminários: 4
Supervisão: Semanal ou Quinzenal
Carga horária teórica: 400 horas
Dias: Terças e Quintas-feiras, das 8h às 18h15
Informações sobre os critérios de seleção para os cursos de especialização 2011 pelo fone 3019-5344 ou pelo e-mail ensino@contemporaneo.org.br
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
LUTO
Assim como a sexualidade, a morte é um assunto que carrega em si vários tabus, mesmo que façamos parte de uma sociedade desenvolvida e culta. Este é um assunto muito pouco agradável aos ouvidos e acredito que a todos os demais sentidos. Com bastante freqüência
Freud diz que o luto, de modo geral, é a reação à perda de alguém querido, de alguma abstração ou o ideal de alguém. Desta forma, o trabalho do luto consistiria em que toda a libido seja retirada do objeto e transferida para outro, o que é sabido por todos que trabalham nesta área, é bastante penoso. Ninguém deseja de bom grado abandonar um objeto amado, mesmo que lhe seja acenanda uma outra posição. Segundo Freud, essa oposição pode ser tão intensa, que originaria alguns transtornos bastante sérios citando principalmente os processos de melancolia.
John Bowlby divide o luto em quatro etapas:
1) Fase inicial de desespero agudo;
2) Fase em que há um desejo intenso pela presença do falecido e busca por esse;
3) Fase de desorganização e desespero. É como se aqui a ficha caísse e a pessoa começa a assimilar a realidade da perda;
4) Fase da reorganização, na qual os sentimentos agudos da perda começam a desaparecer e a pessoa se sente voltando à sua vida normal. Nesta fase o falecido é lembrado com alegria, bem como com tristeza, e há uma internalização da imagem da pessoa perdida. Uma passagem suficientemente boa destas fases vai depender muito dos vínculos e das vivências entre todos os envolvidos no processo.
No luto patológico o que acontece é uma incapacidade na transposição das fases já ponderadas ou um adiamento do referido luto. Frequentemente, vemos que defensivamente a tristeza é substituída por excessiva praticidade e até mesmo frieza, o que só nos confirma a utilização de mecanismos inconscientes que têm por objetivo tornar menos dolorosa a angústia de aniquilamento pela perda do objeto amado. Não só isto, mas possivelmente a própria finitude, uma vez que a morte sempre remete-nos a nossa própria fragilidade.
Decorrem também nos processos patológicos, daí já uma vivência excessivamente destruidora do luto, sentimentos de culpa e remorso. Nestes casos, quando aquele que fica imagina que deveria ter morrido no lugar do outro ou quando as vivências anteriores não foram satisfatórias, há remorsos, lembranças ruins e fracassos irrecuperáveis.
Nenhuma relação entre dois seres complexos pode ser simples, portanto também uma perda nunca tem um resultado linear ou totalmente previsível. A morte revela, ou configura a destruição, a ruptura de um vínculo, no real, objetivo e concreto, entretanto, há um lugar no espaço do simbolismo daquele que fica e isto não cessa de acontecer.
Quando me foi solicitado escrever sobre este tema pensei em ler um pouco e me preparar um pouco e encontrei uma citação em Sanders(1999), que particularmente me identifico e acredito que seja assim que nossos pacientes se sentem quando enlutados:
“A dor de uma perda é tão impossivelmente dolorosa, tão semelhante ao pânico, que tem que ser inventadas maneiras para se defender contra a investida emocional do sofrimento. Existe um medo de que se uma pessoa alguma vez se entregar totalmente a dor, ela será devastada- como que por um maremoto enorme- para nunca mais emergir para estados emocionais comuns outra vez”.
Na literatura nós encontramos estudos sobre dores e lutos que se prestam para a elaboração. Mas dor é dor; e em cada um vai doer de um jeito muito particular. Mesmo que recorramos aos nossos escritos elucidativos técnicos e teóricos, nossos pacientes, amigos, e nós mesmos viveremos nossas perdas como for possível. É importante uma compreensão não só analítica, mas também humana do processo do luto, posto que ele se presta a varias situações de perdas e não tem tempo de duração. Vai depender das condições de cada um para a realização do que se pode chamar de trabalho do luto ou elaboração das perdas.
JANICE MARTINI
ESPECIALISTA EM PSICANÁLISE VINCULAR
MEMBRO CORPO CLÍNICO
Freud diz que o luto, de modo geral, é a reação à perda de alguém querido, de alguma abstração ou o ideal de alguém. Desta forma, o trabalho do luto consistiria em que toda a libido seja retirada do objeto e transferida para outro, o que é sabido por todos que trabalham nesta área, é bastante penoso. Ninguém deseja de bom grado abandonar um objeto amado, mesmo que lhe seja acenanda uma outra posição. Segundo Freud, essa oposição pode ser tão intensa, que originaria alguns transtornos bastante sérios citando principalmente os processos de melancolia.
John Bowlby divide o luto em quatro etapas:
1) Fase inicial de desespero agudo;
2) Fase em que há um desejo intenso pela presença do falecido e busca por esse;
3) Fase de desorganização e desespero. É como se aqui a ficha caísse e a pessoa começa a assimilar a realidade da perda;
4) Fase da reorganização, na qual os sentimentos agudos da perda começam a desaparecer e a pessoa se sente voltando à sua vida normal. Nesta fase o falecido é lembrado com alegria, bem como com tristeza, e há uma internalização da imagem da pessoa perdida. Uma passagem suficientemente boa destas fases vai depender muito dos vínculos e das vivências entre todos os envolvidos no processo.
No luto patológico o que acontece é uma incapacidade na transposição das fases já ponderadas ou um adiamento do referido luto. Frequentemente, vemos que defensivamente a tristeza é substituída por excessiva praticidade e até mesmo frieza, o que só nos confirma a utilização de mecanismos inconscientes que têm por objetivo tornar menos dolorosa a angústia de aniquilamento pela perda do objeto amado. Não só isto, mas possivelmente a própria finitude, uma vez que a morte sempre remete-nos a nossa própria fragilidade.
Decorrem também nos processos patológicos, daí já uma vivência excessivamente destruidora do luto, sentimentos de culpa e remorso. Nestes casos, quando aquele que fica imagina que deveria ter morrido no lugar do outro ou quando as vivências anteriores não foram satisfatórias, há remorsos, lembranças ruins e fracassos irrecuperáveis.
Nenhuma relação entre dois seres complexos pode ser simples, portanto também uma perda nunca tem um resultado linear ou totalmente previsível. A morte revela, ou configura a destruição, a ruptura de um vínculo, no real, objetivo e concreto, entretanto, há um lugar no espaço do simbolismo daquele que fica e isto não cessa de acontecer.
Quando me foi solicitado escrever sobre este tema pensei em ler um pouco e me preparar um pouco e encontrei uma citação em Sanders(1999), que particularmente me identifico e acredito que seja assim que nossos pacientes se sentem quando enlutados:
“A dor de uma perda é tão impossivelmente dolorosa, tão semelhante ao pânico, que tem que ser inventadas maneiras para se defender contra a investida emocional do sofrimento. Existe um medo de que se uma pessoa alguma vez se entregar totalmente a dor, ela será devastada- como que por um maremoto enorme- para nunca mais emergir para estados emocionais comuns outra vez”.
Na literatura nós encontramos estudos sobre dores e lutos que se prestam para a elaboração. Mas dor é dor; e em cada um vai doer de um jeito muito particular. Mesmo que recorramos aos nossos escritos elucidativos técnicos e teóricos, nossos pacientes, amigos, e nós mesmos viveremos nossas perdas como for possível. É importante uma compreensão não só analítica, mas também humana do processo do luto, posto que ele se presta a varias situações de perdas e não tem tempo de duração. Vai depender das condições de cada um para a realização do que se pode chamar de trabalho do luto ou elaboração das perdas.
JANICE MARTINI
ESPECIALISTA EM PSICANÁLISE VINCULAR
MEMBRO CORPO CLÍNICO
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